
O mercado brasileiro de terceirização de tecnologia da informação deve crescer entre 10% e 12% em 2009, de acordo com pesquisa realizada pela consultoria norte-americana Gartner. O vice-presidente de pesquisas da empresa, Cássio Dreyfuss, afirma que a desvalorização do dólar em relação às principais moedas da América Latina — real, peso mexicano e peso argentino — vai beneficiar o segmento no País.
Para
estimar o verdadeiro desempenho do mercado, a consultoria considerou
uma “cesta” com as moedas mais importantes da região. Normalmente, a
conta era feita tendo como referência o dólar. Usando a metodologia, o
Gartner chegou a um crescimento esperado de 6% para o setor de
terceirização na América Latina. O Brasil, considerando apenas o real,
terá um avanço maior.
Os números são superiores aos do mercado global,
que deve apresentar queda de 4,3% em 2009. No próximo ano, a
consultoria estima uma melhora considerável, com crescimento de 3% no
mundo e acima de 12% no Brasil. Com isso, a receita mundial do segmento
deve ficar em 268,1 bilhões de dólares em 2009. Na América Latina, o
mercado deve movimentar 9,4 bilhões de dólares este ano.
Ainda em relação ao mercado brasileiro, Dreyfuss afirma que a crise financeira fez as empresas andarem na contramão no que diz respeito às melhores práticas. Muitos diretores de tecnologia optaram pela terceirização apenas para reduzir orçamento. Segundo o especialista, é impossível conseguir gastar menos mantendo o mesmo nível de serviço. “Nenhuma empresa deve imaginar que, só por transferir determinada tecnologia para um terceiro, vai conseguir uma economia de 20%. Isso não vai acontecer. A crise fez o mercado dar três passos para trás”, diz o especialista.
Fornecedor global
De acordo com Ian Marriot,
vice-presidente de pesquisas do Gartner, o Brasil vem ganhando espaço
como provedor global de serviços de tecnologia. Na competição com a
Índia, que lidera o mercado de terceirização,
o País leva vantagem em três aspectos, segundo o consultor: melhor
infraestrutura, ambiente político e econômico mais estável e maior
compatibilidade cultural com a Europa e os Estados Unidos, onde estão
os principais clientes.
Marriot afirma que, especialmente na Europa, muitas oportunidades devem surgir para empresas brasileiras. Em relação à chegada de companhias indianas ao Brasil, o executivo diz que as empresas nacionais devem focar em suas qualidades, sem se posicionar apenas como uma alternativa, e não tentar competir em custos.
“A chegada de empresas estrangeiras pode ser positiva, pois sempre traz outro tipo de conhecimento, que pode ser aproveitado pelas empresas locais”, afirma Marriot.